Recursos humanos de alto nível garantem expansão da geração solar

Pioneira no Brasil na área de energia solar por meio da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que, em 1997, instalou e opera, desde então, o primeiro gerador fotovoltaico integrado a uma edifi – cação e conectado à rede elétrica no Brasil, Santa Catarina vem acumulando um contingente de recursos humanos especializados e de alto nível que, com o tempo, passam a ocupar posições importantes em empresas privadas e públicas.

É por meio desse diferencial que nem mesmo o fato de o atlas do potencial solarimétrico apontar desvantagens pelo fator climático – o que resulta em um pay-back diferenciado em relação aos demais estados – impediu o Estado de galgar o sexto lugar no ranking do setor com 50 MW, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

De acordo com o engenheiro Flávio Wacholski, diretor da Tera Energia, uma das mais ativas empresas do setor no Estado, a maioria do potencial hidráulico catarinense já está em exploração pelas PCHs, restando poucos aproveitamentos para novas usinas. Já o potencial eólico, próximo ao litoral, está impedido de conceber novos projetos por proximidade a áreas urbanas litorâneas, por difi culdades de ordem do licenciamento ambiental e, principalmente, pelas difi culdades de conexão elétrica.

Diretor da Tera Energia, Flavo Wacholski.

“Frente a essas limitações, o que ainda poderá ser concebido serão usinas solares fotovoltaicas e a Geração Distribuída, nas suas diversifi cações de aproveitamento, ou seja, nos resta investir na fonte solar para que possamos expandir a oferta energética no Estado”, assinala.

Sobre os cenários do setor, pós- -covid-19, Wacholski afirma que haverá forte impacto do câmbio, dado que os fabricantes de módulos solares chineses ganharam o mercado brasileiro, e as variações bruscas da moeda afetarão sensivelmente as importações. Ele salienta que não se têm, no segmento, empreendedores com financiamentos do BNDES para fabricar os módulos solares fotovoltaicos, bem como expectativas das jazidas de silício para atendimento ao mercado brasileiro. E isso torna a produção nacional uma incógnita para o momento.

Como esse efeito abrange todo o país, ele entende que a posição de sexto lugar em potência instalada alcançado pelo Estado dificilmente sofrerá alterações no curto prazo. “Assim sendo, caso o dólar atinja novos patamares, pode-se imaginar que ainda há espaço para condomínios e autoconsumo remoto, isso para o caso de médias e grandes empresas”, declara. Acrescenta, ainda, que a evolução da GD para residências da classe média poderá sofrer uma retração, até que o câmbio normalize.

Por conta “da importante posição do Estado no ranking nacional, pela demonstração de interesses da população, pelos esforços da iniciativa privada e da Celesc”, Wacholski garante que as medidas de incentivo governamental – isenção do ICMS se dá aos consumidores que geram sua própria energia e que tenham uma instalação de até 1 MW – estão aquém do esperado para o ramo.

Sua posição é compartilhada pelo professor Ricardo Rüther, da UFSC. Hoje, em SC, segundo ele, não existe, de fato, uma política de desenvolvimento ou suporte ao setor solar. “Todavia, por meio dos projetos desenvolvidos pela academia, juntamente com a iniciativa privada e organismos internacionais, é possível perceber o enorme potencial dessa tecnologia em termos de benefícios econômicos e sociais para o Estado”, destaca. “São projetos acadêmicos e de pesquisa e desenvolvimento que estão formando um contingente de pessoas de alto nível e que estará apto a potencializar a tecnologia em nosso Estado e em nosso país.”

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